outubro 18, 2010

Carta a ti

Pai,

Hoje sinto necessidade de te escrever, mais uma e tantas vezes. Encontro através da escrita a forma mais fidedigna de comunicar contigo. Sabes o projecto ao qual me tenho dedicado ultimamente, tem sido grande o esforço e o empenho, embora, por vezes, sinta que ainda não tenho a concentração e lucidez necessárias para fazer o melhor que posso. Mas vou caminhando nele, tentando produzir exactamente aquilo que pretendo dar a conhecer...só espero que todo este esforço seja recompensado, que encontro forma de concretizar aquilo que desejo em tua homenagem e em nossa também. Tenho a certeza de que irias aprovar se aqui estivesses...pode demorar mais do que o previsto, mas não vou desistir.

Sabes como a vida não tem sido fácil para nós. Viver com a tua ausência, sob toda e qualquer forma possível, é uma sensação bastante dolorosa. Não tinha que ser assim, havia tantas alternativas possíveis, menos fatais e mais apaziguadoras. Seria egoismo pedir que pudesse ser de outra forma?; dizer que merecíamos tudo menos isto? Na verdade sei que ninguém o merece, mas, vivido na primeira pessoa, é incomparável o vazio que sente. Nunca mais deixará de haver vazio, nunca mais deixaremos de ter saudades, nunca mais teremos uma família completa e feliz. Faltas tu e isso é um facto incontornável! Eu sei o que te prometi, sei o que me pediste...estou a fazer o meu melhor, acredita! Faço o que posso e o que não posso, o que tenho e não tenho vontade de fazer para que as coisas se tornem um pouco mais leves. Leves nunca o serão, mas pelo menos se conseguir aliviar uma parte do peso e da tristeza, sinto-me um pouco mais calma por saber ser esse o teu maior desejo.

Este meu ano foi de bradar aos céus. Já tinha começado mal, lembraste? Comentei contigo e até disse "já que começou mal, só espero que acabe bem!" Mal sabia eu o que esperava...vivi e continuo a viver o piores momentos da minha vida. A conjuntura que me rodeia não tem sido fácil, a todos os níveis. Conto com a tua ajuda aí de cima para, pelo menos, não me deixares perder as forças sempre que não tenho vontade de continuar. Nos três planos mais importantes da minha vida vejo-me completamente à beira do percipicio, os três vértices do meu triângulo estão desconectado e profundamente afectados (família, trabalho e amor). Às vezes pergunto-me se vale a pena continuar, sem ter a menor luz que me ilumine o caminho...dou por mim, tantas e tantas vezes nos últimos tempos, a caminhar só por caminhar, só para não dizer que estou parada. Caminho sem direcção, sem objectivo, sem saber o que me espera; e de cada vez que algo novo ocorre, é o lado negativo que sai reforçado. Parece que ainda não é mau o suficiente, há sempre algo mais que ajuda a piorar a situação. Tenho tentado manter-me firme... Por ti, pela mãe e pelo mano! Só por vocês... Não te preocupes, eu não vou desistir, jamais o poderia fazer. Sinto o peso da responsabilidade de reerguer uma parte daquilo que nos deixaste, para pelo menos podermos (sobre)viver com alguma paz.

Estou aqui por ti e para ti! Só te peço: vai enchendo as minhas reservas de energias, porque tenho medo de um dia não conseguir mais levantar-me.


Um beijo de saudade

PS - Tenho muitos momentos em que ainda não acredito, não parece possível, sabes! Em breve estaria à tua espera...

1 comentário:

Marta Macieira disse...

Passei para retribuir a visita...dizer que tal cm sabe entendo mt bem a sua dor...mt mt bem mesmo...
vim retribuir tb a força e deixar um beijinho
(tenho um blog onde vou mais assiduamente,se precisar de algo estarei por lá(umpoucodemimdeti.blogspot.com))