abril 18, 2006

Dar respostas às dúvidas das crianças...

A novela “Morangos com açúcar” é vista por milhares de pessoas, independentemente da idade que tenham. Não acho que isso seja particularmente grave, pelo contrário, penso que podemos e devemos tirar todo o partido desse facto e, através desta série, que faz as delícias de miúdos e graúdos, devemos passar mensagens pedagógicas: sobre as drogas, sobre o álcool, sobre o tabaco, sobre as faltas, sobre o estudo, sobre a necessidade de praticar exercício físico, sobre as relações amorosas, sobre a sexualidade, sobre as doenças sexualmente transmitidas, sobre a necessidade de usar o preservativo, sobre a relação com o pais, sobre os problemas familiares, sobre as saídas à noite, sobre tudo e mais alguma coisa que diga respeito aos jovens e, sobretudo a esta geração que tem sido, tantas e tantas vezes, apresentada como uma geração vazia de valores.
No entanto, considero que nem todas as crianças, de todas as idades, estão preparadas para assistirem sozinhas a um episódio desta, ou de outras novelas. É aqui que entram (ou devem entrar) os pais, é preciso um acompanhamento eficaz das crianças, sobretudo quando se trata de assuntos tão sensíveis para as crianças e os adolescentes. É preciso explicar-lhes determinados assuntos e complementar a acção educativa e as mensagens transmitidas por esta série. É de salientar que a educação não compete única e exclusivamente às escolas, ela continua em casa e, cada vez mais, através dos conteúdos das séries/filmes que vêem na televisão ou dos jogos de computador/consola.

Este assunto ganhou nova dimensão quando é preciso explicar a uma criança, que nunca tendo lidado com uma situação semelhante, se vê agora confrontada com a morte de um dos seus ídolos e também com a sua continuação na novela. É preciso explicar-lhes a diferença entre a ficção e a realidade, se nunca antes isso foi feito, e, sobretudo, explicar-lhes um assunto tão complexo como a morte. Como explicar a uma criança que aquela pessoa que elas viam todos os dias (e vão continuar a ver por mais alguns) já não está entre nós. As perguntas serão, “para onde é que ele foi?”, “onde é que ele está?”, “porque é que ele não aparece mais nos morangos?”, etc, etc…e precisam de uma resposta, adaptada à idade e à capacidade que a criança demonstra para compreender os vários assuntos.
Alguns especialistas já se debruçaram sobre este assunto e é preciso que os pais, enquanto especialistas nas suas crianças, se preocupem com o mesmo também e levem a cabo a acção que lhes compete. Cada pai ou mãe saberá a melhor forma de explicar ao seu filho o sucedido, mas peço-vos, não deixem de tentar por achar que não são capazes ou por deduzirem que a não existência de perguntas sobre o assunto significa que não existam dúvidas ou confusões. Não se demitam da sua função, que tão importante é na vida das crianças… É preciso falar e não deixar para mais tarde, para outra oportunidade, para outro dia, enfim…para nunca mais! Eu sei que não tenho filhos e que não tenho a mínima noção do que é ser mãe, mas tenho plena consciência do que é ser criança e da necessidade de explicações que nunca chegam e de perguntas que por vergonha eu não colocava. Felizmente, tudo correu bem e tive a capacidade de aprender por mim própria, mas nem todas as crianças a têm e a nem todas as crianças a vida corre de igual modo. Cada vez são mais os problemas que as crianças enfrentam e cada vez mais precocemente, precisamente porque ninguém lhes explica determinadas coisas que podem fazer toda a diferença amanhã.
E quem fala na morte, fala nas questões da sexualidade, do amor, das doenças, das drogas, etc. As dúvidas são muitas e as perguntas também, muitas vezes não são colocadas por falta de “à vontade” ou por vergonha como me aconteceu a mim, mas seja qual for o motivo, não importa, são, em primeiro lugar, os pais que devem estimular uma relação de cumplicidade e, no fundo, de amizade, porque é isso que pais e filhos devem ser em primeiro lugar, amigos! E aos amigos contam-se os segredos, partilham-se experiências e, acima de tudo, colocam-se dúvida e procura-se apoio.

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