junho 29, 2011

Angel

R.I.P. Angélico *

Um ano | Por ti

Um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias. Oito mil setecentas e sessenta horas. De saudade. De dor. De revolta. Mas também de amor. “Onde há sentimento, há dor”, dizia Leonardo da Vinci. Não poderia estar mais próximo da verdade, a dimensão da dor é proporcional ao afecto investido na pessoa amada que perdemos, que, por sua vez, é proporcional à força das lembranças deixadas.

A vida não pede licença, chegou, viu e venceu…levou-te para sempre. A tristeza é tão dolorosa que são esforços vãs tentar dizer o indizível e exprimir o inexprimível. É o que é e por mais que tentemos, jamais conseguiremos traduzir tudo aquilo que nos percorre a alma. Só mesmo quem em algum momento sofreu uma perda semelhante pode ousar compreender aquilo que sentimos. Eu própria não o conseguiria fazer antes.
Sinto a tua falta Pai. Hoje mais do que ontem e muito menos do que amanhã. Continuo sem perceber, sem aceitar, sem encontrar a minha paz interior, aquela que me roubaram quando decidiram levar-te. A vida pode ser tremendamente injusta e eu não irei conseguir vivê-la da mesma forma, nunca mais... Não há nada que valha verdadeiramente a pena! A tua perda mostrou-me que a vida é uma breve passagem, que se esgota rapidamente e absorve tudo aquilo que demorou anos a conquistar. Assim aconteceu connosco.
Todos os dias o meu pensamento vagueia para ti. Para a falta que me fazes, para o quanto deixaste de viver connosco, o quanto ficou por ver e fazer… O tempo passa e tudo aumenta: a dor, a saudade, o vazio que deixaste. Todos os dias penso em ti da mesma forma e com a mesma sensação de amputação. Perdi uma parte importante de mim que jamais será suprível.
Nada mais será igual, o que aconteceu há um ano tatuou a nossa história, haverá para sempre um antes e um depois que em nenhum ponto serão coincidentes. Estamos a reaprender a viver sem a tua presença física – a espiritual não mais será substituída.
Nesta caminhada, há dias mais difíceis dos que outros, e não são necessariamente os ditos “especiais” que se mostram mais dolorosos. Não. Há muitos dias, cuja data nada significa, em que o sofrimento escorre dos olhos sem o conseguirmos conter, porque sofrer por perder um pai, sobretudo sendo tu o Homem que foste, não tem dia marcado, é uma estrada infindável que percorremos sem possibilidade de fazer inversão de marcha e nela vamos sentido as oscilações do terreno, que exaltam ou camuflam o sentimento de perda e que invariavelmente vai estar sempre lá.
Há um ano atrás assisti impotente ao desmoronar de tudo aquilo que julgava “eterno”, de um segundo para o outro tudo perdeu o sentido. Se algo me prendeu à vida foi a força e a coragem que aprendi contigo e a certeza de que agora me cabia a mim cuidar dos nossos. Mas naquele momento toda a minha vontade era desistir. Desistir. Desistir. Não concebia este mundo sem ti. Mas não cedi… Sobrevivi. Sobrevivemos à tragédia, de cabeça erguida, muito mais por ti do que por nós. E hoje, volvido um ano, afirmo sem qualquer dúvida que continuas cá. Comigo. Connosco. Todos os dias, todas as horas, todos os instantes. Existem pessoas especiais. Não existiram. Nem existirão. Existem. Assim. No Presente do Indicativo. Por isso, por serem especiais. E tu és, sem dúvida, a nossa pessoa especial que existe e continuará a existir enquanto cada um de nós viver.
A força que nos mantém não nos pertence. É-nos dada por ti. Hoje, ontem e todos os dias. Oxalá possas continuar a transmitir-nos a tua energia…


Recordo o Homem. O Pai. O Marido. O filho. O militar. O amigo. O cidadão. O HERÓI. Conseguiste cumprir de forma exemplar as tuas múltiplas facetas. Quem te conheceu saberá do que falo. Bastava estar contigo para nos deixarmos contagiar. Pela força. Pelo entusiasmo. Pelo querer sempre fazer mais e melhor. Pela fonte de energia inesgotável. Pelo coração enorme que respondia incansável a todas as solicitações. Pelo espírito de guerreiro destemido. Pela humildade. Pelo carisma.


Para sempre o nosso herói e a nossa fonte de inspiração. Saudades Pai. *

21-06-2011

junho 16, 2011

*PAI

Esperei por ti todas as horas
Frágil sombra olhando o cais
Mas mais triste que as demoras
É saber que não vens mais



- Ana Moura -

junho 14, 2011

Pegadas na areia

Já conhecia este texto, mas recordaram-mo há um ano... Obrigado à S. da Servilusa pela gentileza, embora saiba que esse é o vosso trabalho, prestaram um serviço pra lá de excelente. Nunca me lembrei de vos agradecer e agora que li este texto lembrei-me que há um ano enviaram-no para "acalmar" a minha dor.


Certa noite, sonhei que estava na praia com o Senhor, e, através dos céus, passaram cenas de minha vida. Para cada ano que passava eram deixadas dois pares de pegadas na areia, um era o meu e o outro do Senhor. Quando a última cena da minha vida passou diante de nós olhei para trás e notei que, muitas vezes no caminho de minha vida, havia apenas um par de pegadas.

Notei também que isso só acontecia nos momentos mais difíceis do meu viver, isso aborreceu-me e perguntei então ao Senhor:
Senhor! Tu me deixaste… Por quê? Se um dia me disseste que eu resolvi te seguir que tu andarias sempre comigo. Mas notei que durante as minhas maiores aflições, havia na areia do caminho da minha vida, apenas um par de pegadas. Não entendo porque nas horas mais difíceis de minha vida tu me deixaste.


O senhor me respondeu:
Meu precioso filho, Eu te amo e jamais te deixaria nos momentos das suas provações e do teu sofrimento.
Quando viste na areia apenas um par de pegadas, foi porque exactamente aí,
“Eu te carreguei nos braços.”



 - Margareth Fishback Powers -

Onde foi que nos perdemos?!

junho 09, 2011

Até ao fim do Fim

Sometimes

you have to be apart from the people you love, but that doesn't make you love them any less. Sometimes it makes you love them more.

 - Last Song -

Tudo o que eu precisava hoje

...era sentir que estou no caminho certo.

junho 08, 2011

Almas

" A razão porque doi tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma delas nos tenhamos reencontrado. E talvez que em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmos motivos. Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio ao que virá.

Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes com cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas. E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer-nos adeus.



Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será, mas se nunca nos voltarmos a encontrar outra vez, e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos, ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes."



 - Nicholas Sparks | Diário da nossa Paixão -

junho 07, 2011

Há finais que não são felizes

Se disser que te amo, que continuo a sonhar com um happy end, que acredito no nós, que vejo a luz de felicidade à nossa espera no final da estrada e que lutaria por ti e contigo para voltarmos a ser passado, presente e futuro, podes acreditar.

Mas tu empurraste a minha fé, o meu querer e o meu sentir para o fundo do baú! [Hoje] são palavras já gastas, sem força, nem emoção. São palavras que me saiem rasgadas, a muito esforço do coração.

E não é que ela tem toda a razão...

"Há alturas na vida em que só precisamos de mudar de (l)atitude. Ter essa coragem.


Sair um bocadinho da nossa zona de conforto e permitir que o princípio também possa ter meio. Desejar que o fim seja só o dos livros e dos filmes que nos fazem suspirar; admitir que não estamos sempre certos, que a razão não vive sempre do nosso lado e que a vida não é sempre boa e cor de rosa [e ainda bem, porque só assim podemos dar o devido valor aos momentos verdadeiramente felizes].

E eu não acho que esta mudança, naturalmente imposta por outras mudanças, seja um momento de fraqueza. Não acho. Acho que está mais perto de um exercício de honestidade. Para com a vida, para com os outros e, acima de tudo, para com tudo aquilo que dita a imensa esfera da nossa essência."

Daqui.

A passo de caracol...

Porque é que as notícias, sobretudo aquelas que são importantes e que podem representar uma viragem de 180º, vêm sempre a passo de caracol?

Feitiço


"Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar, Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto, Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei, Olhaste-me por dentro, Juro que nunca te olharei por dentro, Juras que não o farás e já o fizeste"


- Memorial do Convento | de José Saramago -

Juro que não entendo...

Há muitos momentos em que o caminho mais fácil é simplesmente fugir ou até mentir para não vermos a nossa confortável posição ameaçada. Quando isso toca no que os outros sentem, estamos a usar armas indevidas numa guerra que não é a deles. Mas até aqui tudo bem...é a lei do mais forte, o sentido de sobrevivência. Grave é quando esse caminho implica mentir a nós próprios...aí estamos a ser desleais com o que sentimos e a hipotecar a oportunidade de sermos felizes. Só por que sim! Só por que é mais confortável! Só por que o medo fala mais alto! Só por que é mais fácil! Só por que ir à luta significa assumir o risco! A felicidade não se repete, vamos é encontrando no caminho outras formas momentâneas de sermos felizes, as chamadas réplicas. Aquela felicidade que nos enche a alma, que nos faz vibrar e que transparece nos olhos sorridentes, essa perde-se quando a abandonamos e desistimos de a recuperar.
Se podemos viver sem ela, claro que podemos [mas não é a mesma coisa].

Só nos restam duas opções: ou vedamos definitivamente os olhos que de forma insistente procuram afirmar a verdade do que sentimos, ou assumimos de uma vez por todas aquilo que nos vagueia no coração. Não há um meio termo que justifique não tomarmos uma decisão. Ou é preto ou é branco, neste caso não cinzento. Ou nos enganamos ou somos leais connosco próprios. E isso cabe a cada um decidir onde se quer posicionar e se está disposto a assumir as respectivas consequências de cada opção.

Mas quem sou eu para julgar?! Não o fiz, nem o farei. Só não pretendo ser uma bola de ping-pong que é jogada para um ou outro lado do campo conforme o estado de espírito. Se me culpabilizo por ter demorado demasiado tempo a perceber tudo com a devida clarividência, jamais me culparei por não ter tentado, por não ter lutado... Mas o verdadeiro guerreiro sabe qual é o momento de desistir. Eu assumo a derrota e já desisti há muito tempo.

Há dias assim...

em que tudo parece surreal.
em que dás por ti a fazer/dizer o inacreditável.
em que te pedem conselhos que não podes/sabes dar.
em que tens que lidar com as atitudes mais infantis dos últimos tempos, quando já pensavas ter passado essa fase.
em que chegas à conclusão que amar é abdicar em prol da felicidade do outro.
em que a vida te oferece uma das suas maiores ironias.

Mas tudo bem, sobreviveste e até ficaste bem na fotografia!

...

The true... its about love :)

Largar mais...

Meu amor,

Há tempo....

Sem assuntos, sem medo
Se te atreveres a ser COMPLETAMENTE TU.

Venha o que vier,
Agarra bem o mundo
Acredita o tempo é sempre agora,
Não hás mais rodeios, desenganos ou demoras

O teu sentido és tu
Com tudo o que trouxeres em ti ainda

Eu sei que às vezes muito perto desfoca
E querer o mundo inteiro no peito sufoca.

Mas...
Eu quero-te aqui
Eu quero-te em mim


[...]

Não te quero largar mais
Não te quero largar mais
Não te quero largar mais