agosto 31, 2010

Dilacerada

As pessoas de quem gostámos e partiram amputaram-nos cruelmente de partes vivas nossas, e a sua falta obriga-nos a coxear por dentro» [Lobo Antunes]


Sinto a tua falta, hoje mais do que nunca e menos que amanhã. Continuo sem perceber, sem aceitar, sem encontrar a minha paz interior, aquela que me roubaram quando decidiram levar-te. A vida pode ser tremendamente injusta e eu não irei conseguir vivê-la da mesma forma, nunca mais... Gostava de te sentir mais próximo, nem imaginas o quanto isso me apaziguaria a dor que carrego na alma. Se tento reagir, é por ti, apenas por ti, para que não percas o orgulho que eu sei que tinhas em mim. Tal como te prometi, estou a tentar...não te digo que o consiga da mesma forma todos os dias, mas não me julgues. É difícil estar aqui sem ti e ver todos os dias a marca do sofrimento e da angústia espelhadas em mim ou à minha volta. Quando é que me batem novamente à porta para me dizer que tudo isto não passa de um grande mentira, de um grande pesadelo.... É este o desejo que alimento irracionalmente e a verdade é que se não pensasse de forma inconsciente que continuar em Timor, não seria capaz de fazer metade do que já fiz para tentar recompôr minimamente as coisas. Espero que estejas bem aí onde te encontras, que olhes por nós e que nunca te esqueças do quanto te amamos e foste (e continuarás sempre a ser) importante nas nossas vidas. És alma da nossa família, a nossa alma... Saudade*

agosto 25, 2010

Porque esquecer-te é impossível


A toda a hora o meu pensamento vagueia para ti PAI. Para a falta que me fazes, para o quanto deixaste de viver connosco, o quanto ficou por ver e fazer... O tempo passa e tudo aumenta. A dor, a saudade, o vazio que deixaste. Sei que não foi uma escolha tua. Aliás, sei que se soubesses jamais terias deixado que acontecesse, sei da vontade que tinhas de viver, sei o quanto gostavas de nós, apesar da forma menos aberta de o referires. Sei também que esta viagem estava a mudar algumas coisas em ti...mas infelizmente, também sei que nunca mais poderemos colher os benefícios dessa experiência. Mas o que me custa mais saber é que nunca mais poderei olhar para ti e ter a certeza de que estou segura, só porque tu existes na minha vida. Vais existir em cada momento da minha existência...eu sei que tu sabes o quanto estou a sofrer, mas também sei que não podes fazer nada para amenizar a dor. Resta a saudade e o amor... "o essencial é invisível para os olhos", mas não escapa ao coração! Olho para esta imagem e guardo as tuas memórias...sei que era a tua flor... :(

agosto 10, 2010

Start all over again

Post roubado do às 9... não sendo as minhas palavras, retraram exactamente aquilo que penso acerca deste assunto. Porque não?? A vida ensinou-me amargamente que é uma breve passagem e que um dia podemos chegar à recta final sem a certeza de que estamos felizes. Gostava de fugir a sete pés dessa sensação, arriscar tudo, dar tudo de mim...por algo que valesse realmente a pena e que me devolvesse o sorriso que perdi. Não sei se algum dia o voltei a recuperar, é difícil esquecer e lutar em nome de nada...


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For what it’s worth: it’s never too late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There’s no time limit, stop whenever you want.




You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel things you’ve never felt before. I hope you meet people with a different point of view.




I hope you live a life you’re proud of. And if you find that you’re not, I hope you have the strength to start all over again.”



* - «E eu acho que é assim que a vida deve ser vivida: quando sentimos que as escolhas que fizemos, até um dia, não foram as melhores. Porque não começar tudo do zero? Porque não agitar a vida, procurar outro caminho, fazer novas escolhas, ir atrás do que [acreditamos] nos fará mais felizes? É preciso coragem? É. E então? Em vez de perguntarmos sempre "para quê?" ou "porquê?", podemos, de vez em quando, sair da zona de conforto e perguntar "porque não?". É só uma forma de olhar para a vida. A minha forma, a minha opinião. Vale o que vale.»

agosto 05, 2010

É indescritível...

...sensação de perder alguém que amamos.

É uma dor tão grande que chega a tornar-se física. Nesse momento percebemos o quão importante era esse alguém na nossa vida, que nunca mais o vamos ver, sentir o seu toque, ouvir a sua voz… Ninguém deveria passar por essa provação. A perda é devastadora, é um tiro na nossa alma, um buraco impossível de preencher, uma nódoa impossível de arrancar. Ficamos sem rumo, a bússola que nos permitia seguir o caminho certo caiu no mar. Quando recebemos a notícia toda a nossa vida é sugada e sentimo-nos mortos, incapazes de reagir. É uma dor insuperável, é certo, mas temos de continuar a viver por mais díficil que possa parecer, seguir em frente. Pode levar dias, meses, anos ou até uma vida inteira para recuperar de uma perda, tudo depende da força interior e da coragem em progredir, em mudar para melhor e da capacidade de canalizar o sofrimento em felicidade, das perdas em conquistas. Quando já nos sentimos preparados para aceitar que estamos vivos, para reagir, aí o mundo avança e mostra o seu lado belo, a razão porque viver é uma dádiva divina. Não podemos fugir ao nosso destino, a vida é demasiado efémera para nos lamentarmos. Vamos antes descobrir, brincar, rir e ser feliz. É tão fácil falar! A perda é algo para qual o ser humano nunca está preparado. Perante a perda todas as estruturas, todos os nossos planos deixam de fazer sentido, porque essa pessoa já não pode fazer parte deles. Curioso é que apesar da distância física, sentimo-la mais presente do que nunca no nosso interior, como se vivesse dentro de nós, o que de certo modo é verdade. Uma pessoa amada nunca morre completamente, vive sempre através dos que a recordam, protegendo e velando pelos que deixou."

Mas a verdade é que dói e muito... Não consigo esquecer-te Pai. Se soubesses o quanto sentimos a tua falta... é uma dor imensa que não acalma e que não se esquece! :( Olha por nós, peço-te...

agosto 02, 2010

Onde quer que estejas

1 de Agosto de 2010 - 12h - Igreja de Santo Antão - Évora

Espero que tenhas gostado da missa que celebrámos e, acima de tudo, que tenhas ouvido as palavras que li. Foram, de coração, para ti! Só queria ter a certeza de que estiveste lá connosco... :( A dor é insuportável pai...não consigo pensar que nos deixaste para sempre!