agosto 31, 2010

Dilacerada

As pessoas de quem gostámos e partiram amputaram-nos cruelmente de partes vivas nossas, e a sua falta obriga-nos a coxear por dentro» [Lobo Antunes]


Sinto a tua falta, hoje mais do que nunca e menos que amanhã. Continuo sem perceber, sem aceitar, sem encontrar a minha paz interior, aquela que me roubaram quando decidiram levar-te. A vida pode ser tremendamente injusta e eu não irei conseguir vivê-la da mesma forma, nunca mais... Gostava de te sentir mais próximo, nem imaginas o quanto isso me apaziguaria a dor que carrego na alma. Se tento reagir, é por ti, apenas por ti, para que não percas o orgulho que eu sei que tinhas em mim. Tal como te prometi, estou a tentar...não te digo que o consiga da mesma forma todos os dias, mas não me julgues. É difícil estar aqui sem ti e ver todos os dias a marca do sofrimento e da angústia espelhadas em mim ou à minha volta. Quando é que me batem novamente à porta para me dizer que tudo isto não passa de um grande mentira, de um grande pesadelo.... É este o desejo que alimento irracionalmente e a verdade é que se não pensasse de forma inconsciente que continuar em Timor, não seria capaz de fazer metade do que já fiz para tentar recompôr minimamente as coisas. Espero que estejas bem aí onde te encontras, que olhes por nós e que nunca te esqueças do quanto te amamos e foste (e continuarás sempre a ser) importante nas nossas vidas. És alma da nossa família, a nossa alma... Saudade*

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