março 07, 2006

Dia da MULHER

Porquê ver sempre o lado negativo de tudo?!

De facto, o princípio da igualdade entre sexos está contemplado na Constituição Portuguesa (como em muitas outras), mas nem por isso, Portugal é a excepção ao problema das mulheres.

É por isto que o Dia da Mulher não tem, nem pode, ser encarado como uma discriminação; é sim uma acção positiva que visa compensar os valores e estereótipos que a sociedade sedimentou durante séculos em relação às mulheres.


Não podemos ignorar a realidade com que nos deparamos todos os dias, mas que está tão embutida no nosso dia-a-dia que não discernimos os pré-conceitos negativos que contém face a nós, mulheres.

O simbolismo associado a este dia não pode nunca ser esquecido, é apenas uma das metas do percurso feito até hoje pela igualdade dos direitos da Mulher: muitas e muitas mulheres lutaram até à morte pelos direitos que hoje temos e para tornar visíveis os problemas que as mulheres enfrentam todos os dias. A luta das mulheres dura 365 dias por ano e os problemas renovam-se, assumindo máscaras cada vez mais dissimuladas e exigindo mais atenção e mais esforço por parte das mulheres. Por isso é importante sensibilizar a sociedade e se tiver que ser através da existência de um dia da Mulher, que seja…mas que este dia não se resuma apenas ao “Dia da Mulher” e a pequenas lembranças que se recebem. Tem que ser um dia de reflexão, de balanço face ao que se fez para melhorar a situação das mulheres, que não sendo uma minoria, continuam, dia após dia, a ser discriminadas em todos os planos das suas vidas.

A existência deste dia faz sentido sim! E continuará a fazer enquanto persistirem situações tais como:

1 – Discriminação das mulheres no acesso ao mundo do trabalho, simplesmente porque os filhos fazem parte dos seus planos de vida a curto/médio prazo.
2 – Discriminação das mulheres no acesso ao mundo do trabalho, porque numa situação de selecção de uma pessoa para uma determinada função, muitas vezes, os homens são preferidos em relação às mulheres, mesmo que estas têm melhores qualificações.
3 – Discriminação no mundo do trabalho porque decidiu engravidar e, pura e simplesmente, vê o seu contrato, que era a termo, ser ameaçado de término.
4 – Discriminação no mundo do trabalho visto que teve um filho e tem direito a X meses de licença de parto, mas existem todas as pressões para que não os goze, ou não será aumentada, ou o trabalho acumular-se-á até regressar porque os nossos empresários não conhecem a substituição de empregados quando estão de licença de parto, apenas quando estão de baixa ou de licença sem vencimento.
5 – Discriminação no trabalho relativamente à inflexibilidade de horários para ir buscar o filho à creche ou para levar o filho ao médico. Se bem que aqui, também os homens podem assumir o seu papel de pais e partilhar com as mulheres as idas ao médico.
6 – Discriminação no trabalho porque um homem e uma mulher com a mesma função, recebem um ordenado substancialmente diferente, com perda real e injustificada para a mulher, mesmo que esta tenha um maior nível de instrução face ao colega homem.
7 – Discriminação no mundo do trabalho, porque as promoções são distribuídas em função do sexo: apesar de cada vez mais instruídas que os homens, as mulheres continuam a ver bloqueada a ascensão aos lugares de topo nas respectivas carreiras (ora pensem em quantas mulheres existem enquanto gestoras de multinacionais, ou quantos mulheres foram primeiro-ministro ou presidente da república, etc., etc. etc…).
8 – Discriminação das mulheres em casa, em relação à partilha das tarefas domésticas, que por sua vez, vai também contribuir para a não progressão na carreira visto que o tempo que têm disponíveis ara a sua carreira profissional é claramente inferior ou o esforço exigido é maior.
9 - Discriminação das mulheres na linguagem usadas universalmente, porque é o masculino que é entendido como incluindo homens e mulheres (porquê?). Porque não falar em homens e mulheres em vez de falar apenas em homens?
10 – Discriminação das mulheres em casa, porque continuam a ser alvos fáceis de violência doméstica e vivem caladas um drama que deve ser denunciado e acompanhado.
11 – Discriminação das mulheres no mundo não-ocicental, visto que, em muitos países do Islão, as mulheres são impedidas de estudar e de votar, têm que andar completamente cobertas e são alvo de castigos bárbaros.
12 – Discriminação das mulheres em vários tribos onde são alvo de rituais patéticos e que imprimem enorme sofrimento, para além da interferência manifesta no seu próprio corpo como a excisão.

E enquanto isto tudo isto (e muito mais que ficou por referir) continuar a acontecer, seja a mim, a uma vizinha, a uma conhecida, à bebé guineense, à adolescente da Nigéria ou à mulher do mundo ocidental, cuja igualdade proclamada não passa de uma fachada, faz sentido existir o dia Internacional da Mulher para enaltecer todas as super-mulheres que existem por este mundo fora e que, apesar dos problemas, das dificuldades e dos obstáculos que enfrentam continuam a lutar e assumem 1001 papéis sociais sem descurar nenhum deles.


É por isso que aqui preto a minha homenagem a todas as MULHERES e, em especial, à minha mãe, que é uma GRANDE MULHER.


FELIZ DIA A MULHER !

.... e não deixem de lutar porque ser mulher não é ser inferior, é ser igualmente um Ser Humano!

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