julho 17, 2010

A esta hora...

Estaria quase a chegar a Hong Kong, feliz da vida pela aventura e por poder reencontrar-te, mesmo que fosse do outro lado do mundo. Estarias lá, inteirinho, à nossa espera, à espera daqueles que tanto te amam e de quem tanto tinhas saudades, aqueles que sentiram, sentem e nunca deixão de sentir a dor da tua ausência.

É enorme o vazio que nunca mais será preenchido e viver assim é uma tortura que não merecíamos, muito menos tu, que eras o espelho da força e vitalidade que chegava a todos e a todo o lado, como se fosse omnipresente. Às vezes penso...talvez tenha sido essa a vontade de Deus, que te tornasses omnipresente para todos aqueles que levaste contigo no coração, e foram com certeza muitos, tantos ou mais do que aqueles que aqui sofrem por não te ter.

Só queria ter o conforto de falar contigo, de ter algum sinal teu que me permitisse saber o que pensas e sentes neste momento. A força falta-me quando penso que te perdi para sempre, que a última vez que te abracei no aeroporto foi a nossa despedida e que horas antes de tudo sucededer, quiseste falar com nós os três como que a pressentir que seria a derradeira. Mas pior do que tudo isso, é pensar na imagem que guardo quando nos vieram bater à porta para trazer a notícia que quisemos tanto negar e lembrar-me da última vez que te vi, apenas por um segundo. Não me consigo convencer de que eras tu, mas apenas uma figura semelhante. De ti guardo o melhor. Prometo-te que sempre, sempre, sempre irei lembrar-me de ti com um sorriso estampado nos lábios e com o brilho no olhar com que desfrutavas da vida. Vou agarrar-me às bases sólidas que me proporcionaste para conseguir erguer a cabeça e lutar, carregando nos ombros a mãe e o mano, para onde quer que seja preciso.

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