outubro 04, 2010

Dor da saudade

O tempo passa e a saudade aumenta exponencialmente. Procuramos aceitar, chegamos mesmo a acreditar que o tempo ajuda a acalmar a dor. Esperanças irrisórias! O tempo tem essas duas facetas...se por um lado nos trás o hábito que recusamos incorporar no nosso dia-a-dia, por outro, empurra-nos para o abismo de ter que viver sem ti. Dou por mim inconsolável em muitos momentos! As recordações são o melhor e o pior. São sem dúvida o melhor que podemos guardar de ti, de nós enquanto família. Ainda ontem, deitada na minha cama, olhava para o cadeiro que me ajudaste a pintar e recordei cada palavra que me disseste. A tua disponibilidade e a vontade de fazer eram inegáveis. Dizias-me tu, "vamos tentar para ver como fica!". E tentámos. E ficou realmente bem. Não havia nada que eu te pedisse que tu não fizesses. Podia não ser no imediato, por vezes tinha até que insistir e relembrar-te, andavas sempre tão ocupado que era fácil esqueceres-te. Podia até não ser com a maior boa vontade, sobretudo quando não concordavas com alguma coisa, mas se eu pedia, tu só não fazias se não pudesses. Mas essas recordações são também o pior...é nesses momentos que atinjo realmente a falta que nos fazes e o quão preenchias as nossas vidas. São essas recordações tão felizes que me fazem questionar o porquê. E não estou a falar daquele sentimento egoísta muito frente nestas alturas, "Porquê a mim?" ou "O que é que eu fiz para merecer isto?". Eu pergunto antes, "Porquê a ti?", tu que tinhas tanta alegria e vontade de fazer, que punhas realmente o melhor de ti em tudo o que fazias, não era por acaso que tens aquela frase no msn "Põe quanto és no minímo que fazes!". Ainda hoje de cada vez que abro o msn, lá estás tu e lá está essa frase que me inspira a fazer melhor. Mas as recordações não nos permitem evoluir, a fasquia está alta e não queremos, de forma alguma superá-la, porque tu foste o melhor e continuarás a sê-lo da maneira que te é possível. A tristeza é imensa e eu sei que tu sabes...

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